domingo, 5 de julho de 2009

A RESISTÊNCIA IRAQUIANA CONTINUA

Iraque: EUA recua e Resistência celebra com chumbo no invasor

Povo saiu às ruas com bandeiras, instrumentos musicais e bradando “fora EUA”, enquanto a Resistência fustigava tropas de invasores e lacaios

Enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, previa “dias difíceis à frente” e por todo o Iraque a população comemorava com bandeiras iraquianas o recuo das tropas invasoras para fora das cidades, a Resistência cuidou de, com bombas, tiros e mísseis, incentivar o bota-fora.
Assim, no dia 30, pelo menos quatro soldados dos EUA foram mortos em ataques na capital iraquiana, mais três nas vésperas, e mais de uma dezena ficaram feridos.
Sem falar na fornada de lacaios abatida no decorrer da semana do início do recuo, inclusive um general fantoche e dois coronéis de polícia.
A compilação, incompleta, foi feita a partir do site da Associação dos Clérigos Muçulmanos (ACM), e o da entidade Antiwar.
Tudo nos conformes das melhores recomendações do manual do bom guerrilheiro, segundo o qual, quando o inimigo está batendo em retirada, é hora de encher seu rabo de chumbo quente.
Devido ao encobrimento feito pelo Pentágono, não há detalhes sobre o ataque em Bagdá que liquidou os quatro invasores norte-americanos no dia 29.
Outros três foram mortos, em “incidentes diferentes”, respectivamente na sexta-feira dia 26 (dois) e no dia 28 (um), de acordo com as Agências de Notícias Internacionais.
Nove ficaram feridos em explosão no dia 25, na zona leste da capital.

ATAQUE A COMBOIO

Nas contas da Resistência, o número é bem maior.

Segunda-feira dia 29: comboio militar dos EUA atacado com bomba na entrada de Nasiria, no sul do Iraque; emboscada com bomba a patrulha ianque perto de Kirkuk; ataque com morteiros ao quartel dos EUA no bairro de Baladia, capital; emboscada também em Sadr City; ataque a base dos EUA em Kirkuk com mísseis C5K.
Domingo, dia 28: destruição de um blindado dos EUA no leste de Bagdá, por meio de um carro entupido de explosivos detonado à distância; ataque a comboio militar em Iskandaria, ao sul de Bagdá, que resultou na devastação de um veículo dos EUA; patrulha invasora mandada pelos ares em Saidia, distrito de Dora.
No sábado dia 27: outra patrulha do invasor emboscada perto da mesquita Al Samarrai.
Na sexta-feira dia 26: emboscada com bomba em Baqba, capital da província de Diala, que arrasou um veículo do inimigo; destruição de veículo do invasor na área de Ur, leste de Bagdá, perto da mesquita Firwads.
Na quinta-feira dia 25: bomba estropia patrulha dos EUA na capital.
Na quarta-feira 24: 2 invasores feridos por bomba perto do Hospital de Habibia, Bagdá; no centro de Mossul, patrulha a pé de invasores atingida por bomba. Na terça-feira dia 23, patrulha na rua Qanat, em Bagdá, foi acertada em cheio.
Na segunda-feira dia 22, uma das organizações da Resistência, a “Brigadas da Revolução de 1920”, divulgou vídeo mostrando a destruição total de um blindado dos EUA no norte do país.
A revista “Foreign Policy”, citada pelo “Washington Post”, registrou a situação que vai se delineando entre as tropas invasoras.
Descreve um mapa na parede de uma base na província de Anbar, em que a estrada que liga Ramadi à capital do país, está marcada de advertências de “No-Go Zone” cada vez mais próximas de Bagdá.
“Perder uma só vida americana para assegurar uma cidade [Faluja] na iminência de ser controlada pelos iraquianos não faz sentido”, assinala a reportagem mostrando a mudança de atitude dos marines. Mas, por enquanto, ainda é um recuo para as cercanias das cidades, e algo em torno de 10 mil soldados dos EUA viraram “conselheiros” das unidades fantoches.

LACAIOS
Uma compilação permite estimar o estrago feito pela Resistência entre os lacaios.
No dia 29, ataque a uma estação de polícia em Hamdania abateu 20; mais quatro perto de Mossul e outro em Jalawla.
No dia 28, 16 lacaios abatidos em Bagdá, Hamrin e Ramadi.
No dia 27, outros 7 abatidos na capital e redondezas.
No dia 26, tombaram mais 3 colaboracionistas.
No dia 25, 17 colaboracionistas e um coronel de polícia foram abatidos em Mossul; na área de Faluja, emboscadas com bomba abateram outro coronel de polícia e mais 35 policiais lacaios. Na véspera, pelo menos outros 15 fantoches receberam um trato.
No dia 23, emboscada com bomba matou um general do exército fantoche e quatro oficiais.
Note-se que nessa resenha da ação da guerrilha, não estão incluídas as dezenas de vítimas de atentados em locais públicos – como mercados e pontos de ônibus -, onde não havia qualquer alvo militar, e que a Associação dos Clérigos denunciou como atentados visando dividir e jogar uns iraquianos contra outros.
Divisões que cada vez mais serão superadas pelo Povo Iraquiano, como mostrou no dia 30, ao dançar e cantar para festejar o recuo das tropas dos EUA do solo sagrado de Bagdá, bradando “fora EUA” e agitando bandeiras.
Já o filho do presidente-fantoche Talabani, um separatista “curdo” a favor de leiloar o petróleo do norte às petroleiras amigas, andou choramingando sobre a ameaça da “partida das tropas invasoras”, numa confissão da impotência dos fantoches diante da Resistência. Comparou o recuo dos invasores à “Missão Cumprida 2” – numa referência à encenação de W. Bush, em 2003, num porta-aviões o rápido fim da guerra.

Já o primeiro-fantoche Nuri Maliki, no seu “dia da soberania”, agradeceu aos invasores por sua invasão e deu ao Povo Iraquiano um motivo a mais para pendurá-lo num poste.
A Resistência Iraquiana não se deixa iludir pelas promessas de Obama.


E continuará a lutar até à saída do último soldado estadunidense e à justa indenização do Povo Iraquiano pelos danos e os crimes dos EUA.


O que é a Resistência Iraquiana

“A Resistência Nacional Iraquiana tem um papel enorme nisto tudo, porque conseguiu pôr um travão no projeto de colonização global americano".
A Resistência representa todo o Povo Iraquiano. Não está a lutar contra os americanos por serem americanos. Está a lutar contra os americanos por estarem a colonizar o nosso país. Abrange todas as classes e todas as componentes da sociedade. Há árabes, há curdos, há turcomanos; há muçulmanos, há cristãos. Tem o apoio de 90% do Povo Iraquiano".
Estes dados foram anunciados pela CNN e pela USA Today.
Perguntaram aos iraquianos – muçulmanos, xiitas, sunitas, curdos, árabes – e chegaram à conclusão de que os que recusam a colonização americana representam 89% do povo iraquiano.
“A resistência começou com facções divididas - como primeira reacção à colonização do exército americano – que já se começaram a unir para formarem duas frentes de luta.
“A Frente Nacional Islâmica do Iraque, com 36 secções militares e representação dos partidos que estão contra a presença americana, representa a maioria da resistência.
Fazem parte dela a maioria dos moderados iraquianos, mesmo os sunitas cristãos.
A segunda frente, menos de 10% da resistência, é composta por facções islamistas, com tendência para serem fundamentalistas.
O que une a Frente Nacional (que represento) e a Frente Islamista é o objectivo comum: libertar o nosso país.”

Um programa político para um Iraque livre

“A Frente Nacional Iraquiana tem um programa político muito claro. Tanto para a luta pela libertação, como para depois da colonização.
A cultura geral dos iraquianos é uma cultura humanista moderada.
Suponho que, quando houver eleições depois da partida das tropas, quem vai ganhar vai ser a Frente Nacional porque representa melhor a maneira de ver e de pensar dos iraquianos.
“É por isso que o programa da Frente Nacional Islâmica do Iraque, em que a maior força é o Partido Baas nacional iraquiano, tem como base: libertar o Iraque, uma libertação total e completa.
Organização do Iraque, o Estado e o povo.
Libertação dos reféns e dos prisioneiros das prisões do governo iraquiano e das dos americanos.
Anulação de todas as leis e decisões tomadas durante a colonização.
Depois, a instalação de um regime iraquiano democrático, com participação dos partidos não comprometidos com a colonização.

Terá de haver um período transitório de dois anos, com num governo provisório, para anular as consequências da colonização, instalar os serviços para os cidadãos iraquianos e preparar uma Constituição iraquiana independente da presença americana; bem como estabelecer uma lei que organize a vida dos partidos e as eleições.
E, depois, realizar eleições.

“A FNI manterá as melhores relações com os países da zona e garante os interesses internacionais e a amizade com todos os povos da região e do mundo. E mesmo os interesses dos EUA, se aceitarem indemnizar o povo iraquiano e pedir-lhe desculpas por todos os crimes cometidos contra ele.”
A Resistência continua
“O povo iraquiano vai continuar a luta, sejam quais forem os sacrifícios e as perdas. Até à saída do último soldado americano. Este é o único caminho para nos salvarmos.
“Os americanos estão a retirar os soldados das ruas, porque têm medo da resistência, mas passaram a utilizar aviões para se deslocarem dentro do território iraquiano. Ainda ontem houve um ataque a uma cidade e foram presos muitos cidadãos, com a explicação de que estavam ali responsáveis da resistência, informações que têm através de pessoas que trabalham para as forças armadas americanas".
“Se a nova administração americana respeita a legislação internacional, se está mesmo interessada em respeitar os valores humanos e as exigências dos conflitos internacionais – tal como o senhor Obama disse na rádio, que ‘vai difundir os verdadeiros valores americanos’ –, então será uma prova de coragem assumir a responsabilidade desta guerra que o senhor Bush iniciou. E que respeite realmente os direitos do povo iraquiano. E que o Iraque e o seu povo sejam indenizados pelos danos que sofreram. E que se afastem completamente do povo iraquiano. E que tenham negociações com a resistência nacional iraquiana. Para que possamos instalar um novo regime iraquiano democrático. Para que possamos evitar a presença iraniana e o terrorismo no nosso território.
“A resistência nacional, quando estiver no poder, vai lutar contra o extremismo iraniano e o terrorismo, para que o Iraque possa ter a sua serenidade. E toda a zona também. Para que possamos garantir todos os interesses dos países nesta região com um valor enorme para todos. Se acontecer o contrário, os conflitos vão continuar nesta zona. E toda a gente vai perder os interesses que tem naquela zona.”

O aliciamento de chefes de tribo para o lado dos EUA

Para tentarem suprir as enormes dificuldades que os impedem de controlar grandes regiões do país, os ocupantes lançaram em 2007 uma campanha de aliciamento de chefes tribais para, a troco de dinheiro, se encarregarem de organizar o enfrentamento e o policiamento locais contra a resistência. É o chamado Movimento Despertar. Baseia-se numa estrutura tradicional das tribos, com costumes e chefes próprios, que o regime do Baas conseguira secundarizar num primeiro tempo, com a laicização do Estado e a democratização dos serviços e dos sistemas de educação, transportes e saúde pública. Todavia, durante os 12 anos de embargo imposto ao país, entre 1991 e 2003, o próprio Saddam recuperou essa estrutura do tecido social como forma de compensar o deperecimento do Estado central.
Questionado sobre o Movimento Despertar, Abu Mohamad disse que “os americanos não estão a conseguir resolver os problemas de maneira militar. Já não conseguem deter a resistência. Sendo assim, têm de procurar outras soluções. Pagam milhares de dólares aos chefes de tribos iraquianas para conseguirem apoio. Distribuem armas e fazem alianças, a que chamam “Sahwat” [Despertar], com o objectivo de dividir o povo e fomentar a guerra civil. Incentivam estes chefes para que sejam eles a perseguir a resistência nacional iraquiana. E usam o termo de sempre: “terroristas”.
Antes da colonização não se falava de terrorismo, não tínhamos nada a ver com as redes terroristas. O terrorismo veio com a colonização, com as tropas americanas.
A resistência nacional não tem nada a ver com o terrorismo.
Está contra o terrorismo e luta com todos meios contra o terrorismo e os terroristas.
Foram os americanos que implantaram o terrorismo no Iraque para tentarem destruir os primeiros movimentos da resistência.
Agora lançaram este movimento que se chama Sahwat, comprando os acordos com milhares de dólares, dizendo aos iraquianos que devem lutar contra o terrorismo.
Infelizmente algumas tribos iraquianas integraram-se nesta união porque nas suas regiões não há trabalho, não há nada para fazer. Como já foi dito, mais de 60% dos iraquianos estão desempregados.
“Nós já sabíamos que os americanos estavam a jogar esta carta para dividir o povo iraquiano. A maioria dos que fizeram parte desta organização Sahwat, já deixou de trabalhar a favor das forças americanas. O resto são pessoas que são mesmo compradas pelo dinheiro americano.”

Os sindicatos iraquianos

Questionado acerca da situação dos trabalhadores e do papel dos sindicatos no Iraque actual, Abu Mohamad respondeu: “Segundo a lei internacional, todas as organizações – políticas, desportivas, etc. – criadas pela colonização são ilegais e não têm legitimidade para funcionar. Com a colonização, todos os sindicatos iraquianos deixaram de existir. Não existem por causa de tudo o que aconteceu, a deslocação, a morte das pessoas, as condições complicadas que se estão a viver. E todos os partidos que vieram com a colonização ajudaram a dividir estas associações segundo os interesses de cada partido, independentemente do interesse geral. Chegaram a usar armas entre essas instituições, segundo o interesse dos partidos. Sendo assim, todas as instituições sindicais já estão destruídas.
“Além disso, os iraquianos não precisam de sindicatos, sobretudo ao nível dos funcionários, dos trabalhadores e dos agricultores. Agora, para trabalhar, a única hipótese é fazer parte do corpo de polícia ou das forças armadas. Todas as fábricas foram destruídas. E o desemprego representa mais de 60%.
Então qual é a nossa necessidade de ter sindicatos?
“A função principal dos sindicatos é defender os interesses dos trabalhadores e dos agricultores perante um regime político. No Iraque, não temos o nosso regime, não temos o nosso Estado, e não temos trabalhadores nem agricultores. Esta é a nossa realidade no Iraque.”
Na íntegra em "Porta-voz da Resistência iraquiana esteve em Lisboa"

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